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Rede Brasil Atual

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

REFORMA TRABALHISTA - BARBÁRIE OU EMPREGO?
Juca Guimarães
Brasil de Fato | São Paulo (SP)
11 de Novembro de 2018

Para atender o interesse dos patrões, a reforma desfigurou a CLT e não resolveu a crise 

Agência Brasil / José Cruz


A reforma trabalhista do Governo Temer (MDB), que alterou mais de 200 pontos na CLT - conjunto de leis que protegia os direitos dos trabalhadores - completa um ano neste domingo (11).

Ao longo desse período, as previsões catastróficas de especialistas foram confirmadas e a reforma, que retirou direitos fundamentais dos brasileiros, só serviu para agravar a crise do emprego e renda. Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,5 milhões de brasileiros estão desempregados.

Com a falsa promessa de ser uma “vacina” contra a diminuição da oferta de vagas, a proposta de reforma atendeu a interesses do mercado financeiro e dos empresários, segundo o analista político Marcos Verlaine, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

“Essa tentativa de alterar a CLT vem de muito tempo. Não é uma coisa recente. Entretanto, desde a redemocratização, os empresários e o mercado não conseguiram reunir os elementos para aprovar a mudança, que seriam: uma bancada no Congresso com esse objetivo, força política na sociedade brasileira e uma dificuldade do movimento sindical de resistir ”, disse Verlaine. 

Para enfraquecer os sindicatos, a reforma atacou a fonte de financiamento das entidades. “Houve uma queda de mais ou menos de 80% da arrecadação dos sindicatos com o fim da contribuição obrigatória. Isso desequilibrou bastante as negociações”, afirmou.
As mudanças aprovadas há um ano, segundo Verlaine, alteraram radicalmente as características da CLT e abriram espaço para a precarização dos empregos

“Sai a consolidação das leis do trabalho e entra a consolidação das leis de mercado. A legislação vigente privilegia o patrão e o mercado em detrimento do trabalhador”, resumiu o analista político. A criação de novas modalidades de contratação, com flexibilização aguda dos direitos trabalhistas, salários menores e pouca margem para negociação, dão a tônica da reforma.

A reforma trabalhista contribuiu ainda para ampliar os impactos da crise econômica, o que atrapalha qualquer perspectiva de retomada do crescimento da atividade econômica, segundo a economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais de Economia de Trabalho da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
“Esses contratos têm uma renda muito instável. Se você têm uma renda instável, você não planeja o futuro. Não tem perspectiva de assumir qualquer tipo de compromisso, contratação de crédito. Isso tem impacto sobre o consumo, a produção e o investimento. As medidas [da reforma] não têm condições de contribuir para que se retome a atividade econômica”, constata.

Renda 
Segundo a pesquisadora Marilane, uma das mudanças da reforma trabalhista mais aplicadas nos acordos coletivos dos últimos 12 meses, por parte dos empregadores, foi a instituição do banco de horas.
Para os trabalhadores com carteira assinada, isso teve um impacto direto na remuneração pois afetou o pagamento de horas extras. “O banco de horas substitui as horas extras, que para boa parte dos trabalhadores já foi incorporada ao salário. Então teve uma queda de renda familiar. Isso é grave porque dois terços do produto nacional vem do consumo das famílias. Quando o consumo das famílias reduz em função da queda da renda familiar, o impacto é muito grande, disse.

Aposentadoria
O advogado Guilherme Portanova, especialista em direito previdenciário, aponta o reflexo da reforma trabalhista nas aposentadorias e benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O percentual de crescimento da arrecadação líquida das contribuições, descontadas dos contracheques e recolhida pelas empresas, teve redução de 58%, na média de nove meses após a implantação da reforma, comparando com o mesmo número de meses antes da reforma. 
“A redução no ritmo de crescimento da arrecadação tem a ver com o desemprego em alta e, em boa parte, com a precarização do trabalho gerado pela reforma da CLT”, analisa. Antes da reforma, a arrecadação líquida média era de R$ 29,7 bilhões com um crescimento de 5,39%. Após a entrada em vigor das novas regras, a média ficou em R$ 30,4 bilhões, ou seja, o crescimento ficou em 2,25% apenas.

Ações na Justiça
Um levantamento apresentado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostra que o número de novos processos trabalhistas caiu 36,2% com a reforma. De janeiro a setembro de 2017, as varas do trabalho protocolaram 2,01 milhões de ações. Já entre janeiro de setembro de 2018, com a reforma em vigor, foram 1,28 milhão. 
Para Estanislau Maria de Freitas Júnior, advogado especialista em Direito do Trabalho, pela USP, e em Políticas Públicas, pela Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap), essa redução é reflexo da mudança que desequilibrou a correlação de forças entre empregador e trabalhador.
“As empresas continuam cometendo irregularidades e não cumprindo a lei. Mas com a reforma ficou mais arriscado para o trabalhador entrar com a ação por conta da regra nova, que obriga a parte que perde a ação a pagar as custas do advogado da outra parte. Essa é uma prática do direito civil que foi importada para o direito trabalhista na reforma”, disse.

Vagas
O principal argumento do governo Temer para aprovar a reforma com cortes de direitos foi a geração de empregos. A estimativa do então ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, era de 2 milhões de vagas nos dois primeiros anos. A tese é parecida com a frase que o presidente eleito Jair Bolsonaro disse, em agosto, na sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo. “O trabalhador terá que escolher entre mais direito e menos emprego, ou menos direito e mais emprego”.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), derrubam a tese em tom de ameaça. Nos 12 primeiros meses, o saldo de vagas geradas no país foi de 372 mil, ou seja, faltaram mais de 620 mil oportunidades de trabalho para chegar na meta de 1 milhão estimada pela equipe de Temer para o primeiro ano.
“Foi um resultado pífio e muitas das vagas geradas são de emprego intermitente, ou seja, o trabalhador foi contratado, porém, pode ser que ele nem tenha sido convocado para trabalhar. Ou seja, continuou sem a renda”, disse Verlaine.
De acordo com o técnido do Diap, o trabalho intermitente, que estabelece a possibilidade de pagamento das horas efetivamente trabalhadas, de acordo com a convocação do empregador, é um indicativo forte da precarização do trabalho. “Para conseguir uma renda, ele terá que trabalhar em vários lugares diferentes. E sem garantia de quanto vai receber”, disse.

Outro problema relacionado ao emprego intermitente é a contribuição para o INSS. Segundo a regra do governo, a contribuição mínima tem como referência o salário mínimo, que está em R$ 954. Se o trabalhador intermitente não consegue atingir este valor de renda por mês, ele terá que fazer uma contribuição complementar da diferença para o INSS.


“Imagine como é grave. Além de ficar com a renda comprometida naquele mês, ele pode ficar em débito com o INSS, caso não faça a contribuição extra, e perder este tempo na contagem para a aposentadoria”, explica o especialista em direito previdenciário, Guilherme Portanova.

Braskem planeja investimentos de R$ 600 milhões na Bahia

Porto de Aratu e central de matérias-primas em Camaçari serão contemplados
Maior produtora de resinas das Américas, com produção anual de 20 milhões de toneladas, a Braskem já programou para o último trimestre de 2019 uma parada para manutenção de sua mais antiga central de matérias-primas em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Serão investidos recursos da ordem de R$ 300 milhões na limpeza e atualização tecnológica da unidade, visando aumentar a sua competitividade. Todo o processo deve durar pouco mais de 30 dias.
“Além disso, seguimos trabalhando no projeto do novo cais do Porto de Aratu. Estamos agora na fase de licenciamento ambiental”, disse Marcelo Cerqueira, vice-presidente de insumos básicos da companhia.
O projeto visa ampliar a área de armazenagem do porto. Cerqueira explica que a nova estrutura vai permitir ainda desafogar o porto, reduzindo a fila de navios. Os investimentos previstos também são da ordem de R$ 300 milhões. “Mas é um número bem preliminar. Precisamos fechar o licenciamento antes e verificar quais os requisitos e exigências que o órgão ambiental (Inema) fará, o que pode demandar mais investimentos”, destacou Cerqueira. 
Outro foco da empresa na Bahia tem sido a utilização do gás etano em suas operações. Recentemente, a Braskem investiu R$ 380 milhões na adaptação da infraestrutura logística do terminal de Aratu, na construção de um duto de interligação e na adequação tecnológica de sua unidade de insumos básicos. Tudo isso para ficar menos dependente da nafta. “Estamos vendo se há ainda possibilidade de aumentar a flexibilidade de matéria-prima no Polo de Camaçari”, disse Cerqueira.  
Hoje, a planta baiana utiliza 13% de etano mas este percentual pode chegar a 15%. “Este ano, até 13% foi vantagem operar com etano. É um projeto que está indo muito bem”, afirmou Cerqueira, que participou, ontem, ao lado do presidente da Braskem, Fernando Musa, e de outros executivos da companhia, de um encontro com investidores, em hotel na zona sul de São Paulo. Durante a reunião, foi apresentado o balanço da empresa relativo ao terceiro trimestre deste ano e detalhado projetos que estão sendo desenvolvido pelas empresa no Brasil e no exterior, como a construção de uma nova fábrica de polipropileno nos Estados Unidos.
Balanço 
A Braskem encerrou o terceiro do ano com um lucro líquido de R$ 1,34 bilhão, num aumento de 68% em relação a igual período do ano passado. A taxa média de utilização das centrais petroquímicas no país chegou no período a 95% - cinco pontos percentuais a mais em relação ao trimestre anterior.
Já as vendas de resinas da empresa no mercado brasileiro atingiu 917 mil toneladas entre os meses a julho a setembro, 12% acima do negociado no trimestre imediatamente anterior. Outras 358 mil toneladas de resinas foram exportadas, aumento de 12% em relação ao segundo trimestre do ano. 
Nos Estados Unidos e na Europa, por sua vez, as unidades operaram com 87% de capacidade, contra 84% no trimestre anterior. No México, a taxa de utilização aumentou 6 pontos percentuais no período. As exportações a partir do México se mantiveram estáveis devido a estratégia de priorizar o atendimento do mercado mexicano. 
“Voltamos a operar numa capacidade bastante relevante. Continuamos a registar resultados vigorosos apesar da volatilidade do mercado e de alguns desafios operacionais. Estamos trilhando um caminho seguro de crescimento”, afirmou Fernando Musa, que apontou as prioridades da companhia para os próximos meses: “Vamos focar em quatro grandes temas: aumentar a nossa produtividade e competitividade, buscar diversificar a nossa matéria-prima, continuar trabalhando na  diversificação geográfica e aprimorar cada vez mais nossos programas de governança e reputação”. 
fonte:Correio24horas

FUNDO DE PENSÃO DA PETROBRAS COBRA R$ 843 MILHÕES DA VALE FERTILIZANTES

A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, está cobrando R$ 843 milhões da Vale Fertilizantes para equacionar o déficit do plano Petros Ultrafértil, que tem entre suas patrocinadoras a empresa do grupo de mineração. Em fevereiro, a Vale solicitou formalmente a retirada do patrocínio do fundo, ou seja, tomou a decisão de não mais contribuir para o plano e chegou a informar os funcionários e beneficiários de sua saída. Mas, na quarta-feira, a juíza Flavia Poyares Miranda, da 30.ª Vara Cível da Justiça de São Paulo, determinou que a companhia permaneça no fundo até a decisão final sobre os pedidos de ressarcimento.

O caso gira em torno de uma alteração do regulamento do fundo feita em 1984, estabelecendo que os beneficiários e aposentados do fundo da Petros teriam direito à correção de seus benefícios usando as mesmas regras da Petrobras para revisar os salários dos funcionários da ativa.

A questão foi discutida por inúmeros aposentados na Justiça, que ganharam a causa e foram gerando déficits na Petros, segundo conta o suplente do conselho fiscal do fundo, Paulo Brandão. Agora, a fundação está cobrando a conta das patrocinadoras. O Petros, além de administrar a previdência dos funcionários da Petrobras, também administra os planos de outras empresas, que em sua maioria foram privatizadas ao longo dos anos.

FONTE: Correio Braziliense


terça-feira, 27 de julho de 2010

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